Foram instalados os novos painéis fotográficos no Plenário da Câmara de Vereadores de Bento Gonçalves, ao custo de R$ 17,7 mil. Como já tinha dito anteriormente aqui neste espaço, a forma como a contratação foi feita levanta questionamentos não apenas sobre gastos públicos, mas sobre a sensibilidade política do presidente do Legislativo, vereador Anderson Zanella (Progressistas).
Sem licitação ou sequer pesquisa de preço, a contratação direta para impressão e instalação das imagens aéreas da cidade — aplicadas atrás da Mesa Diretora e na sala da presidência — escancara um problema antigo: o uso de recursos públicos em ações de impacto visual, mas sem retorno efetivo à população.
A estética institucional pode, sim, ter valor simbólico. Embelezar espaços do poder público transmite uma imagem de organização e zelo. No entanto, é preciso lembrar que o papel do Legislativo é representar o cidadão. E, neste momento, a cidade enfrenta demandas mais urgentes, como problemas sérios na Saúde, com a falta de milhares de cirurgias, assim como na Educação, onde faltam vários professores e monitores.
Além disso, o argumento da valorização e embelezamento do espaço perde força com a informação dada pelo prório presidente da Casa do Povo de que a Câmara deverá se mudar ainda neste ano para um novo prédio, com conclusão prevista para novembro. Ou seja: os painéis recém-instalados serão, muito provavelmente, substituídos, reposicionados ou descartados — configurando um caso evidente de desperdício.
Mais grave do que o custo da obra é o que ela representa. A ausência de transparência no processo, sem consulta a outros profissionais ou orçamentos, contraria o discurso do próprio Anderson Zanella, que se apresenta como modelo de lisura e transarência. O presidente perdeu a oportunidade de fazer parceria com vários artistas locais e dar vazão à arte produzida tão ricamente por gente da nossa terra.
O presidente do Legislativo, por estar à frente de uma instituição chamada Casa do Povo, deveria ser o primeiro a evitar escolhas que pudessem ser percebidas como descoladas da realidade social. A população espera coerência, sobretudo de quem administra o orçamento público.
E antes que digam, aqui não se trata de rejeitar ações culturais ou de comunicação visual, mas de avaliar prioridades, custo-benefício e o momento em que essas intervenções são feitas.
Uma gestão pública comprometida com a sociedade deve ser guiada por critérios técnicos, mas também por responsabilidade política. Nesse sentido, seria prudente que o vereador Anderson Zanella se posicionasse sobre a necessidade real da obra, porque não seguiui os critérios de buscar pelo menos três orçamentos para a contratação e quais serão os planos para a utilização dos painéis diante da iminente mudança de sede.
A crítica aqui não é ao projeto em si, mas ao modo como foi conduzido. Em tempos de orçamento apertado e descrença nas instituições, decisões como essa enfraquecem a imagem do poder público e alimentam a desconfiança da população. Em nome da transparência, tão propagada pelo atual presidente, seria mais do que adequado abrir os dados da contratação e, acima de tudo, ouvir o que pensa a comunidade. Afinal, a melhor forma de valorizar a imagem da cidade é respeitar quem vive nela.