Um estudo publicado em 2020 na revista International Psychogeriatrics, da Universidade de Cambridge, e noticiado no site da National Geographic, apontou que o hábito da leitura pode ajudar a preservar a função cognitiva na terceira idade. Ao longo de 14 anos, a pesquisa acompanhou quase duas mil pessoas com mais de 60 anos. Os resultados indicaram que a leitura frequente (ao menos uma vez por semana) está associada a um menor risco de declínio cognitivo em adultos mais velhos, independentemente do grau de escolaridade.
Para Renato Alves, especialista em memorização e pesquisador cognitivo nas áreas de aprendizagem, concentração e memória, o estudo confirma que a prática da leitura atua como um exercício para o cérebro e contribui para a manutenção da elasticidade neural, um fator essencial para a reserva cognitiva na terceira idade. “Ao estimular diversas áreas do cérebro, a leitura retarda o declínio cognitivo e mantém as funções mentais mais aguçadas durante o envelhecimento”, explica.
De acordo com o especialista, o hábito de ler estimula diversas funções cognitivas, como memória, raciocínio e concentração. Durante a leitura, o cérebro se envolve na assimilação e interpretação de informações, ativando diferentes áreas cerebrais.
“Entre essas áreas estão o córtex pré-frontal e as regiões temporais, que são responsáveis por memórias episódicas e semânticas. A ativação desse conjunto de dados e funções cerebrais contribui para o fortalecimento da memória em geral, aprimoramento do raciocínio e melhoria da concentração. Além disso, a prática contínua da leitura favorece a formação de novas conexões neurais, promovendo agilidade mental, clareza cognitiva e lucidez”, detalha.
Ainda segundo Renato, o ideal é ler diariamente, mesmo que por apenas 30 minutos a uma hora. O mais importante é transformar a leitura em um hábito constante e regular.
Leitura e a prevenção da demência
A demência impacta a vida de mais de 50 milhões de pessoas em todo o mundo, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), estima que a condição afete 1,76 milhão de indivíduos com mais de 60 anos.
Uma das formas de reduzir o risco ou retardar o desenvolvimento de doenças neurodegenerativas, como a demência, é a prática da leitura. Segundo Renato, esse hábito pode contribuir para o aumento da reserva cognitiva.
Uma matéria publicada no site da BBC discorre sobre o livro “Reserva Cognitiva: Teoria e Aplicações”, no qual o professor de neuropsicologia da Universidade Columbia (EUA), Yaakov Stern, responsável por introduzir o conceito, explica que a reserva cerebral segue um “modelo passivo”, baseado no volume do cérebro e na quantidade de neurônios. Ainda de acordo com o estudo, o modelo de reserva cognitiva propõe que o cérebro busca ativamente compensar danos por meio de estratégias cognitivas já existentes ou mecanismos alternativos de adaptação.
Para estimular a atividade mental, Renato sugere diversificar as leituras. “Livros de ficção e não ficção, jornais, revistas, poesias e textos de blogs podem ser muito benéficos. Além disso, a leitura de materiais relacionados aos interesses pessoais e até álbuns de psicografia se mostra um excelente exercício para a terceira idade. Livros históricos também são recomendados, pois ajudam a estimular diferentes aspectos da cognição e mantêm o cérebro desafiado. Esse desafio contribui para o crescimento neural e fortalece a reserva cognitiva, o que pode ajudar na prevenção de doenças neurodegenerativas”, reforça.
O especialista também aconselha familiares e cuidadores a incentivarem a leitura, criando um ambiente acolhedor. Estratégias como disponibilizar livros ao alcance do idoso, garantir um espaço silencioso e bem iluminado e facilitar o acesso a materiais de interesse podem ser eficazes.
“Mais importante ainda é compartilhar essa experiência: ler em conjunto, ler para o idoso e discutir o conteúdo lido. Essa interação torna a atividade mais interessante, prazerosa e estimulante, contribuindo significativamente para a saúde cognitiva e mental”, conclui.
Para mais informações, basta acessar: www.renatoalves.com.br